XXXII Aula Agostiniana de Educação 2026: IA com vocação para o ensino
- Equipo de comunicación Red EDUCAR

- 26 de fev.
- 4 min de leitura
Atualizado: 13 de mar.
Mais de 400 professores agostinianos de toda a Espanha participaram da abertura do 32º Fórum Agostiniano de Educação 2026, um espaço consolidado para formação, reflexão pedagógica e encontro fraterno. Este ano, o evento teve como tema "IA com coração de professor", convidando os participantes a aprofundar o diálogo entre inovação tecnológica e humanismo na educação.

Nossos professores participaram ativamente deste evento, o que nos inspira a continuar crescendo como educadores comprometidos com uma educação holística, humanística e significativa. Entendemos a educação como um processo comunitário: somos uma comunidade de aprendizagem. Portanto, estar presente neste espaço nos ajuda a discernir como integrar novas tecnologias sem perder o que é mais valioso: o indivíduo, a relação educacional e o apoio próximo.
Primeiro dia: interioridade e tecnologia com significado
A inauguração, em 21 de fevereiro, foi marcada pelas palavras da Irmã Ana María Guantay, Superiora Geral das Irmãs Missionárias Agostinianas. Em um contexto cultural profundamente marcado pela aceleração tecnológica, ela enfatizou que este momento representa “uma oportunidade muito valiosa” para a educação agostiniana.
Longe de apresentar a inteligência artificial como uma ameaça, ela a apresentou como uma provocação e um desafio. A chave, afirmou, é não perder de vista nossas raízes: interioridade, encontro e comunidade. Em um mundo marcado pela hiperconectividade e pela constante exterioridade, o pensamento de Santo Agostinho oferece uma âncora sólida: retornar ao coração para viver enraizado neste tempo.
A freira insistiu em uma dinâmica pedagógica essencial: professores e alunos caminham juntos. “Não faremos isso sozinhos.” A relação educativa é entendida como um processo de aprendizagem mútua, onde a humildade e a comunhão fortalecem a identidade agostiniana.
“A interioridade, a capacidade de encontro e os relacionamentos autênticos são elementos centrais que não podemos nos dar ao luxo de negligenciar”, enfatizou ele em seu discurso. Em um ambiente que fomenta a constante exterioridade e a distração, o pensamento de Santo Agostinho oferece uma âncora: o retorno ao eu interior para encontrar significado e, a partir daí, servir aos outros.

Tecnologia com um roteiro
No mesmo dia, Tirso Maldonado e César Poyatos também discursaram, oferecendo perspectivas complementares do campo da inovação educacional.
Maldonado alertou para o erro de implementar tecnologias sem uma transformação genuína de processos e mentalidades. A inteligência artificial não pode ser tratada como um simples mecanismo de busca; ela exige compreensão profunda, treinamento em design responsivo e uma estratégia clara e centrada nas pessoas.
Por sua vez, Poyatos insistiu que “proibir não educa”. Diante do medo, ele propôs uma alfabetização digital crítica, ética e segura. Apontou riscos reais — desinformação, viés e desigualdade — mas também o potencial da IA para personalizar o aprendizado, sempre com o professor como mediador insubstituível.
O dia terminou com um concerto do coral da Escolanía del Escorial, que proporcionou um momento de beleza e contemplação, lembrando a todos que a educação integral também inclui as dimensões estética e espiritual.

Segundo dia: Eucaristia, discernimento e envio
O segundo dia começou às 20h30 com a celebração da Eucaristia, presidida por Frei Carlos González Castellanos, OAR, Prior Provincial da Província de São Nicolau de Tolentino, juntamente com cerca de vinte sacerdotes.
A celebração foi um ato de ação de graças pela presença de todos, uma oração pela abertura das escolas às novas tecnologias e uma homenagem aos educadores que os precederam na missão agostiniana na Espanha.
Em sua homilia, Frei Carlos contextualizou o encontro dentro do período quaresmal: conversão, interioridade e superação das tentações. Ele lembrou aos participantes que o verdadeiro progresso brota do coração e que a prudência — e não a ostentação ou o risco desnecessário — é o caminho seguro diante dos desafios. A oração, o jejum e a esmola foram apresentados como “asas” que elevam a vida espiritual e sustentam qualquer renovação autêntica.
Inteligência artificial e coração pastoral
A discussão acadêmica prosseguiu com uma apresentação de Charo Fernández Aguirre, que direcionou o foco para as dimensões antropológica e pastoral. A inteligência artificial pode auxiliar, organizar e otimizar processos, mas não pode substituir o acompanhamento humano.
Educar é acompanhar, discernir e apoiar. A tecnologia desafia a essência do educador, mas não a substitui. A chave não é escolher entre uma pessoa ou uma ferramenta, mas sim desenvolver habilidades de pensamento crítico para pensar com e sobre a tecnologia.
Encerramento: a pessoa no centro
As palavras finais foram proferidas por Frei Antonio Carrón de la Torre, OAR, Conselheiro Geral e chefe da Rede Educar. Num momento histórico em que a Igreja reflete ativamente sobre a inteligência artificial, ele enfatizou que a pessoa deve sempre permanecer no centro.
Ele propôs três linhas de ação claras: educar para a IA (competência ética e crítica), educar sobre a IA (compreender como ela funciona) e educar com a IA (integrá-la pedagogicamente). Ressaltou a importância de sempre evitar que a ferramenta seja o único foco da educação e reafirmou que o fundamento da missão educativa cristã é Jesus Cristo.
Inove sem perder a sua alma
A 32ª Conferência de Educação Agostiniana de 2026 demonstrou que é possível conciliar inovação e tradição, técnica e transcendência, competência profissional e coração pastoral.
A inteligência artificial apresenta desafios sem precedentes. Mas a resposta não é o medo ou o fascínio ingênuo, e sim o discernimento. Nas salas de aula agostinianas, o futuro não se constrói apenas com algoritmos, mas com educadores que acreditam em cada aluno como pessoa única, chamada à verdade e à bondade.
Humanizar a tecnologia a partir do coração do carisma: esse tem sido o horizonte comum.




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